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3ª ROMARIA DA FAMÍLIA DO ROGATE AO SANTUÁRIO SANTO ANÍBAL “DISCÍPULOS MISSIONÁRIOS DO ROGATE” 16 de maio de 2009 I) Introdução: O que significa sermos Discípulos e Missionários do Rogate? “Jesus começou a percorrer todas as cidades e povoados, ensinando em suas sinagogas, proclamando a Boa Nova do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade. Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para sua colheita!” Somos chamados com Santo Aníbal, a sermos discípulos-missionários do Rogate. Somos convidados a olhar para um passado distante, mas ao mesmo tempo muito próximo de nós, atual e urgente. O texto bíblico que acabamos de ouvir se refere ao “sermão da missão”, Jesus que olha para a multidão cansada e abatida. Hoje, nós também olhamos para tantas multidões cansadas e abatidas. No evangelho, Jesus “encheu-se de compaixão desta multidão porque pareciam ovelhas sem pastor”. Jesus proclama o Rogate: “Rogai-pedi, pois ao Senhor da colheita-messe que envie trabalhadores (discípulos-missionários) para a colheita. Ser discípulos-missionários é a missão de todos os batizados. Há mais de um século Santo Aníbal sentiu compaixão dos pobres abandonados do Bairro Avinhão, em Messina, no sul da Itália. Naquele lugar de pobres e abandonados ele pronúncia o Evangelho do Rogate: “Enviai, Senhor, operários e operárias à vossa messe”. Santo Aníbal sente a compaixão pelos pequenos e pobres, por isso, pronuncia o Rogate – Pedi (Rogai-Rogate). E com esta oração suplicante ele realiza obras de misericórdia, de justiça e de solidariedade em favor da multidão de pobres, de sua época. Sob seu olhar está o Bairro Avinhão, com sua humanidade sofrida. Os pobres lhe fazem referência à multidão abandonada do Evangelho de Mateus. Tornar-se símbolo de todas as modernas multidões com seus sofrimentos, misérias e ânsias de dignidade humana para todos. Como poderia imaginar que daquele lugar, do sul da Itália nascesse e crescesse a grande Obra do Rogate para todo o mundo? Hoje como Família do Rogate, somos convidados a ter compaixão pelas modernas “multidões cansadas e abatidas”. Isso significa sermos Discípulos-Missionários do Rogate! II) O compromisso de comunhão no Rogate Este compromisso de renovação no Rogate será o nosso guia. Agradecemos pelos riquíssimos ensinamentos da Palavra de Deus e que a linha-guia indicada nesta Palavra de Deus seja o Rogate pronunciado por Santo Aníbal. Considero que essa lógica não possa ser outra que a consciência de que fomos chamados nesta 3ª romaria a viver a rica experiência de Família do Rogate e contribuir para este importante evento seja sinal de Deus em nossas vidas e na vida de tantas pessoas “cansadas e abatidas”. Por essa razão, desejo neste dia que nossa atitude de escuta dócil às inspirações e sinais de Deus possa despertar em nós um espírito de comunhão e de serviço à Igreja e a sociedade, em todos os lugares de onde viemos como peregrinos do Rogate de Santo Aníbal. Um critério único deve conduzir-nos: o amor sem limites a Cristo, à Igreja e ao Rogate. Este amor deve gerar um grande espírito de comunhão. Elenco aqui três momentos de comunhão intrinsecamente conectados. A saber: Comunhão com Deus, Comunhão entre nós e Comunhão com nossos irmãos e irmãs. 1º A comunhão com Deus: Que bom estarmos nesta 3ª Romaria! É a nossa comunhão com Deus que nos reúne aqui! Fomos criados e somos criaturas únicas feitas à imagem de Deus. O carinho de Deus planejou nossa criação e nele nos criou por amor. Tenhamos a paciência, busquemos o silêncio para pararmos e contemplarmos Deus em nossas ações, em nossas virtudes e dons. Nossa comunhão com Deus nos leva a oração pessoal, fortalece a oração em família. Obriga-nos cotidianamente a rezar pelas vocações. Rezar pelas vocações deve ser nossa obrigação pessoal cotidiana, momento especial e essencial de nossa vida. A comunhão com Deus deve levar todos aqueles e aquelas que comungam do carisma do Rogate - Obras Sócio-educativas, paróquias, casas de formação, equipes de animadores vocacional (EVP), associações laicais, dentre outros, a formar grupos que rezam pelas vocações. Sem esta comunhão com Deus de nada valerá nossas ações e sem nossas ações de nada valerá nossas orações. Lembremos, pois, que para Santo Aníbal “a Oração é um meio seguro e infalível” . Sejamos dóceis ao Espírito. Assim como na primitiva comunidade cristã os grandes eventos, alegres ou difíceis, eram vividos em comunhão de oração (At 2,42; 4,23-31). Também esta 3ª romaria está acompanhada das orações de nossas comunidades, de nossas familiares e de todas as comunidades do Rogate espalhadas pelo mundo. Nossos Superiores Gerais, Pe. Giorgio Nalin e Madre Giodatta Guerrera nos acompanham neste momento com suas orações, mesmo que distantes fisicamente. 2º A comunhão entre nós: Não se trata somente de simples relacionamento, por causa de nossas amizades, afinidades ou gostos. Queremos ser nesta 3ª Romaria - utilizando uma acertada expressão do Servo de Deus João Paulo II – “casa e escola de comunhão”. Esta romaria é, portanto, uma grande “Escola de Comunhão” . Não obstante sermos tão diferentes uns dos outros em vários aspectos. A lógica da comunhão no Rogate nos deve levar a uma justa consideração da verdade contida nas opiniões dos outros, mesmo quando forem diferentes das nossas. Somos a Família do Rogate e queremos viver o amor de Deus na comunhão e na diversidade que nos enriquece e nos une. Neste sentido, devemos distanciar-nos de tudo aquilo que causa desunião em nossas comunidades, que criam “grupinhos” individualizados e geram fofoca e inimizades. Uma comunidade que vive desunida por causa dos maus relacionamentos humanos é uma comunidade que está fora do mundo atual. Neste novo mundo que vai surgindo, a Comunhão como os outros, está em alta, os bons relacionamentos, a rede de amizades são itens em treinamentos de grandes organizações empresarias. Pouco a pouco vem caindo os gestos arcaicos, senão ditatoriais da autosuficiência, da arrogância, dos palavrões, do mau humor e da falta de solidariedade humana, às vezes presentes em nossas comunidades. Acredito que a comunhão entre nós é capaz de quebrar a ditadura da indiferença humana e só assim, podemos lutar por um mundo justo e solidário. Lembremos que a Comunhão nos leva a prática da hospitalidade, da ternura e da comensalidade, uma das referências mais ancestrais da familiaridade humana. Como já disse anteriormente, nosso único critério é o amor a Cristo sem limites, o amor a Igreja e ao Rogate. Na vida da Igreja o bem de um deve ser o bem de todos e o bem de todos deve ser o bem de cada um. Isto é comunhão - koinonia. Podemos nos perguntar, o que significa sermos “Discípulos e Missionários”. Lembremos, pois, do tema da V Conferência de Aparecida: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele os nossos povos tenham vida. Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida- (Jo 14, 6)”. É um tema central da nossa fé católica e da nossa vida cristã. 1º Sermos discípulos Ser discípulo do Rogate é viver intensamente a Eucaristia na vida cotidiana. Ser discípulo do Cristo do Rogate é estar atento aos irmãos, é ser solidário e sensível com os pobres, é ter respeito por todos, é ser promotor da justiça e da bondade e, acima de tudo fiel colaborador na edificação de uma sociedade mais justa e humana. Assim sendo, nosso olhar deve estar voltado, sobretudo para a realidade da condição humana presente em nossas comunidades, é um ver com olhos iluminados pela fé e um coração cheio de amor. Somente assim, poderemos proclamar com alegria o Evangelho de Jesus Cristo, o Rogate, para iluminar o caminho da vida humana. Após o ver e o encontrar luz, poderemos buscar o discernimento comunitário aberto ao sopro do Espírito Santo que nos indicará uma ação realmente missionária , que ponha toda a Família do Rogate num “estado permanente de missão” , como nos indicou a V Conferência de Aparecida, em sua mensagem final. Nosso fio condutor é o Evangelho, por excelência, o evangelho do Rogate (Mt 9,35-38). O documento final da V Conferência de Aparecida nos recorda que somos discípulos e missionários em virtude de nosso batismo, e o patrimônio mais valioso da cultura de nossos povos é ‘a fé em Deus amor’. Isto depende de um forte ardor apostólico e um maior compromisso missionário. Uma urgência na renovação das estruturas de comunidades e de nossas ações nas áreas das quais somos interpelados pelo carisma do Rogate. Perguntamos por nossas comunidades e suas estruturas pastorais. Nossas comunidades são mediações da transmissão da fé em Cristo Jesus? Comungamos do carisma do Rogate e nos identificamos como discípulos missionários nas várias atividades das quais estamos inseridos, como, por exemplo, paróquias, escolas, obras sócio-educativas em geral, ou, no exercício da formação, da animação vocacional e da comunicação. Estas são mediações e fontes da nossa vocação e missão? São fontes de fé e de esperança? Perguntamos ainda: O amor em nossas comunidades tem renovado a existência das pessoas através da partilha e da inclusão de todos? Lembremos, pois, que como discípulos missionários do Rogate, somos todos Animadores Vocacionais! 2º Sermos missionários O ser discípulo e o ser missionário estão em interconexão vital, de tal modo que, no nosso caso, ser discípulo do Rogate leva a ser missionário do Rogate no anúncio de Cristo em todos os lugares, mesmo naqueles onde não estão presentes os Rogacionistas e as Filhas do Divino Zelo. Isto significa, em especial, a graça do chamado a ser seguidor e participar da missão especial de Discípulos Missionários do Rogate, em todos os lugares. O grande desafio que a V Conferência de Aparecida nos lançou foi o desafio do olhar de discípulos missionários sobre a realidade, as grandes mudanças que interpelam a evangelização: nível sócio-cultural, econômico, político, étnico e ecológico. Nesta hora de grandes desafios: globalização, a injustiça estrutural, a crise na transmissão da fé e outros. São realidades que afetam a vida cotidiana. Ninguém fica de fora. O Rogate é atual e urgente neste momento de grandes “multidões cansadas e abatidas”. Que esta 3ª Romaria seja um sinal forte e uma luminosa orientação para o futuro, na situação cheia de desafios e de feridas pelas tensões provocadas pelas graves injustiças e pelas enormes desigualdades sociais, econômicas e culturais que clamam ao céu, especialmente aquelas que atingem os pequenos e desprotegidos. Considerando nossa riqueza espiritual, herdada de Santo Aníbal Maria Di Francia, destacamos a espiritualidade rogacionista, a formação, um maior conhecimento da espiritualidade do carisma do Rogate, através dos encontros e outros eventos formativos que envolvem, especialmente, a presença e participação dos leigos rogacionistas. E, é exatamente isto que estamos realizando nesta terceira romaria: um momento formativo para afirmar a importância de vossa participação, comunhão e envolvimento efetivo e afetivo ao carisma do Rogate. Lembro com ênfase que “Santo Aníbal valorizou ao máximo os leigos, seus primeiros colaboradores (...)” . Conclusão Lembremos que a V Conferência de Aparecida, em sua terceira parte, tratou da “missão atual da Igreja”, e falou da “Vida de Jesus Cristo para nossos povos”, entretanto, faço aqui uma referência ao “Sermão da Missão” - às “multidões” - do Evangelho de Mateus 9, 35-38 e pontuo algumas ações pastorais que a Igreja da América Latina e Caribe assumiu como compromisso de renovação da Igreja, para assim alinhavar, o nosso compromisso com o Rogate. Em síntese, eis o compromisso da V Conferência de Aparecida:
O compromisso de renovação no Rogate quer significar que somos discípulos missionários do Rogate: 1º REZAR todos os dias pelas vocações sacerdotais, religiosas, missionárias e pela vocação de todo cristão batizado. E rezar implicar uma renovação interior, a uma intimidade e um compromisso com Deus e com os irmãos e as irmãs, especialmente os pobres. Destaque para a vivência de uma espiritualidade rogacionista viva e eficaz, especialmente para a vida de comunhão com Deus. MENSAGEM: Como discípulos missionários de Jesus Cristo do Rogate, encontramos a ternura do amor de Deus refletida no rosto de nosso querido Santo Aníbal Maria Di Francia. A partir deste Santuário Santo Aníbal, sinal e símbolo da missão do Rogate fora da Itália, nos sentimos filhos e filhas muito amados e queridos pelo zelo de Deus que habita em cada um de nossos corações e nos convida a deixar as redes para aproximar a todos de seu Filho, Jesus, porque Ele é ‘o Caminho, a Verdade e a Vida’ (Jo 14,6). Que Santo Aníbal Maria Di Francia acompanhe os nossos passos, a partir desta querida cidade de Passos. Muito Obrigado! No Documento Final da V Conferência de Aparecida, o texto tem três grandes partes que seguem o método de reflexão teológico-pastoral ‘ver, julgar, agir’. Cf. DA, Capítulo Segundo, Olhar dos discípulos missionários sobre a realidade, n. 33 a 100, pp. 27ss Cf. DA, Segunda Parte, A vida de Jesus Cristo nos discípulos missionários, caps. III a VI, pp. 61 a 157
Pe. Geraldo Tadeu Furtado, RCJ
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