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4ª Assembleia dos Religiosos da
Província Rogacionista Latino-americana
Mensagem Final
“A Assembleia dos Religiosos é a nossa melhor Formação Permanente”.
Pe. Giorgio Nalin, Missa de Abertura da 4ª Assembleia dos Religiosos Rogacionistas.
“Havia ali a fonte...” (Jo 4,6)
1. Entre os dias 19 e 24 de janeiro de 2009, no Seminário Rogacionista Pio XII, em Criciúma (SC), nós, religiosos e noviços rogacionistas, estivemos reunidos em assembléia, como momento de experiência vivaz da vida fraterna em comunidade, em vista da missão. Aprofundamos a relação entre o carisma e a instituição, expressando em comum a identidade de discípulos e apóstolos do Rogate, para ser profetas autênticos neste início de 3° Milênio.
2. Em sintonia com o X Capítulo Geral: “Apóstolos do Rogate: a Missão dos Rogacionistas no início do 3° Milênio”, e as orientações do VII Capítulo Provincial: “Apóstolos do Rogate: Discipulado, Profetismo e Missão”, e da V Conferência do Episcopado Latino-americano e Caribenho: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo para que nele nossos povos tenham vida”, nossa assembléia refletiu o tema: “Rogate: vida e missão no instituto”, e o lema: “Dá-me desta água” (Jo 4,15).
3. Enquanto porção do povo de Deus peregrino nestas terras latino-americanas, iniciamos nossa assembléia com a celebração eucarística presidida pelo Superior Geral, Pe. Giorgio Nalin. Na homilia ele nos convidou a viver com intensidade este momento de formação permanente e ação de graças pela caminhada da Província, de modo especial o 50° aniversário do Seminário Rogacionista Pio XII, sinal da missionariedade da congregação no mundo e casa de formação dos primeiros discípulos-missionários rogacionistas na América Latina. Motivadoras também foram as palavras do administrador diocesano, Pe. Wilson Buss, que salientou o valor da convivência e o significado da fraternidade e do encontro.
“Se conhecesses o dom de Deus...” (Jo 4,10)
4. Iniciamos os trabalhos com a memória das três assembléias anteriores e a Leitura Orante do ícone “da samaritana” (Jo 4,1-42). Nesta Lectio Divina meditamos nossa vida, carisma e missão, destacando especialmente a frase: “Dá-me desta água” (v. 15). O Superior Geral nos apresentou o resultado do recente Sínodo dos Bispos: “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja”.
5. Nesta 4ª Assembléia tivemos a oportunidade de refletir sobre a temática: “gestão e espiritualidade”, apresentada pelo religioso marista, Ir. Afonso Murad, FMS. O assessor nos convidou a sermos fiéis a Jesus e à história na fidelidade ao nosso tempo. Neste sentido, gerir significa potencializar não apenas as estruturas, mas fundamentalmente os religiosos, criar ambientes em nossas comunidades, onde cada consagrado se sinta vinculado ao carisma, de modo que a sua consagração se transforme em doação livre em vista da missão.
6. Um “rogacionista gestor” está ciente da situação social no seu entorno. Está ciente das situações emocionais internas que envolvem a vida de seus coirmãos e a sua própria vida. Deve procurar evitar o conflito entre gerir estruturas e relações humanas. Ser fiel ao carisma rogacionista significa caminhar com equilíbrio entre os aspectos institucional e humano, de forma que privilegiando este último revitalizaremos nossas estruturas.
7. Tratamos também da profecia e gestão de solidariedade como esforço assumido por todos para superar uma eventual concepção assistencialista e sua relação de dependência, que anulam o protagonismo dos empobrecidos e seu potencial. Insistimos, ainda, sobre a solidariedade como libertação para construirmos - junto com os pobres - uma nova sociedade. Neste empreendimento descobrimos diferentes rostos de pobreza com suas questões específicas. E constatamos que há um novo jeito de atuar junto aos pobres, com a ampliação da solidariedade, do processo da libertação e da responsabilidade sócio-ambiental.
“Dá-me desta água” (Jo 4,15)
Elementos
8. O Cristo do Rogate é a fonte de água viva na qual somos chamados a saciar nossa sede. Diante dele nos colocamos com entusiasmo e esperança para incorporar os seguintes elementos em nossa vida e missão:
a) Buscar o equilíbrio entre gestão da instituição e valorização do humano.
b) Ter a espiritualidade como eixo fundamental para o equilíbrio entre vida interior e trabalho apostólico.
c) Promover o trabalho em equipe como elemento indispensável no que se refere às nossas atividades ou instituições ligadas ao nosso carisma. Merece destaque o envolvimento e o protagonismo leigo na vivência do Rogate.
d) Superar o amadorismo e capacitar nossos religiosos nas áreas de atuação - espiritualidade, teologia, pedagogia e, especialmente, no Terceiro Setor -, conforme a aptidão correspondente. Isto contribui para o aprofundamento da vivência do Carisma Rogacionista.
e) Viver o profetismo como realidade em nossas práticas pastorais, desenvolvendo ações que de fato rompam com o sistema de exclusão e opressão.
f) Resgatar a solidariedade profética na vida e missão do Instituto, inserindo-se nos diversos organismos sociais da Igreja. Trata-se de uma solidariedade de encontro e assistência, que gera libertação e responsabilidade sócio-ambiental.
g) Capacitar as lideranças para que sejam aptas a gerir as funções recebidas e promover novas lideranças.
h) Promover a gestão participativa com o revigoramento dos meios já existentes: conselho de casa, de família e outros, como a elaboração do projeto comunitário.
i) Favorecer a gestão da vida religiosa a ser aprofundada e inserida nas dimensões da formação de base e permanente, com cursos, instruções e especializações.
j) Buscar a espiritualidade integrada/libertadora como atitude de gratidão a Deus e aos irmãos.
k) Preparar, animar e acompanhar as lideranças na espiritualidade do Rogate, dando continuidade às equipes de assessoria nas diversas áreas.
l) Desenvolver a gestão em espírito de cooperação mútua para vivenciar o carisma na sua tríplice dimensão: rezar, propagar e ser.
m) Incentivar a solidariedade na relação dos religiosos.
n) Recuperar a missionariedade com mais incentivo e apoio, facilitando a presença dos congregados em terras de missão.
Compromissos
9. A assembléia assumiu os seguintes compromissos para o próximo biênio. Eles nos ajudarão a seguir com fidelidade criativa o Cristo do Rogate junto ao povo e nas nossas comunidades:
a) Formar comunidades atentas ao bem comum, abertas ao diálogo, à fraternidade, ao lúdico, ao trabalho em equipe, onde as relações se construam de modo verdadeiro e profundo, levando em consideração as capacidades e as limitações de cada religioso.
b) Cultivar o encantamento pela consagração religiosa rogacionista através do projeto de vida comunitária e pessoal, do diálogo, da sensibilidade e humildade, superando a competição, ciúmes e divisões entre religiosos. Neste sentido, é oportuno que todos os religiosos elaborem seus projetos de vida pessoal e comunitária contemplando as orientações desta 4ª Assembléia.
c) Fomentar a capacitação de gestores para uma melhor articulação e formação de redes, superando os empecilhos para minimizar nossas fraquezas e desenvolver o potencial da identidade rogacionista.
d) Promover uma gestão participativa, corresponsável e qualificada, sustentada por uma espiritualidade solidária, a fim de garantir a dignidade de toda pessoa.
“Levantai os olhos e vede os campos, como estão dourados, prontos para a colheita” (Jo 4,35)
10. Nossa assembléia entoou louvores ao Senhor pelos 34 anos de sacerdócio dos primeiros padres rogacionistas brasileiros: Pe. Jacinto Pizzetti e Pe. Mário Pasini. Também celebramos a tradicional “Súplica ao Nome Santíssimo de Jesus”, seguida da missa na qual o Ir. José Amado Elias recebeu o Ministério de Leitor. A assembléia conclui-se com a solene celebração eucarística, na qual o Ir. Dilson Brito Rocha professou os votos perpétuos e, com a Família do Rogate, abrimos as comemorações dos 50 anos do Seminário Rogacionista Pio XII. A celebração foi marcada pela alegria de todos os participantes, que acolheram com esperança as indicações da assembléia e se comprometeram a vivenciá-las nas comunidades, lugar do profetismo e da missão Rogacionista.
11. Concluindo, invocamos ao Senhor da messe: “Dá-me sempre desta água” (cf. Jo 4,15), para que o Rogate seja gerador de vida e possamos ser fiéis à missão. Com Maria, louvamos o Deus Trindade por estes dias de fraternidade e revigoramento rogacionista, pois ele fez em nós maravilhas, Santo é o seu nome! Com Santo Aníbal Maria Di Francia, nosso pai e fundador, imploramos incessantemente os missionários do Reino: “Enviai, Senhor, operários e operárias à vossa messe”.
Criciúma, 24 de janeiro de 2009
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