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Desafios da Pastoral Vocacional Contemporânea:
"A missão é colocada como uma condição necessária na Igreja, pois faz parte de sua natureza, isto é, de sua essência fundante, tendo sua origem no seio da Trindade"
Antes de especificarmos qual seja a Missão Rogacionista no continente latino-americano, faz-se necessário compreender como a Igreja universal se pronuncia frente à dimensão missionária e em que consiste sua finalidade. Para tal fim, ilumina-nos o decreto Ad Gentes do Concílio Vaticano II, sobre a atividade missionária da Igreja. Já nas primeiras linhas percebemos que a Igreja “é por sua natureza missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio do Pai.” (AG 2). A partir disto, entendemos que a missão é colocada como uma condição necessária na Igreja, pois faz parte de sua natureza, isto é, de sua essência fundante, tendo origem no seio da Trindade, quando esta, designado pelo Pai, envia o Filho e, posteriormente, o Espírito, o qual conduzirá os homens na continuidade da missão de Cristo. A atividade missionária que teve origem no seio trinitário perpetua-se no mundo por meio de homens e mulheres, que, através do Espírito Santo, recebem diversos carismas, suscitando Institutos comprometidos com o anúncio e a propagação do evangelho.
Para nós, Rogacionistas, a inspiração e intuição do nosso fundador, Santo Aníbal Maria Di Francia, que após deparar-se com a miséria moral e material de Avinhão sentiu a necessidade e o dever de obedecer ao divino mandamento de Jesus: “Rogate ergo Dominum messis, ut mittat operarios in messem suam”, constitui-se a missão por excelência, que se manifesta em três dimensões: rezar, propagar e agir.
De acordo com o documento do X Capítulo Geral, “Apóstolos do Rogate”, “a primeira missão dos Rogacionistas é obedecer ao mandamento de Jesus: Rogate. Isto nos qualifica como adoradores e imploradores para a missão mais bela de merecer e preparar as vocações para o Reino de Deus” (Escritos Rogacionistas 22). No que diz respeito à propagação, o documento afirma que “a sociedade de hoje manifesta urgentes necessidades de operários da reconciliação, testemunhas da verdade que salva e construtores da paz duradoura...” (idem).
Não obstante termos separado a missão específica rogacionista nestes três elementos, rezar, anunciar e agir, ela se dá na integração e na dinamicidade que cada um representa. A ordem desses três elementos não é necessária como tal. O que interessa para nós, missionários e missionárias rogacionistas, é o cumprimento e a vivência desses preceitos em sua totalidade.
Mas eis que nos surge um desafio: como podemos ser fiéis ao divino mandamento de Cristo no continente latino-americano que historicamente foi explorado pelo sistema de colonização e de regimes políticos ditatoriais? E ainda: como podemos ser sinal do Reino de Deus, através do Rogate, na sociedade do século XXI, globalizada e marcada pelo individualismo, relativização dos valores e uma crescente desinstitucionalização da fé?
Para essa problemática ilumina-nos ainda o decreto Ad Gentes, quando diz: “dificilmente um indivíduo sozinho conseguirá realizar tudo isto... A vocação comum reuniu os indivíduos em institutos, nos quais, reunindo as forças, recebem idônea formação e realizam esta obra em nome da Igreja...” (AG 27). É necessário, portanto, que somemos forças para darmos continuidade à missão rogacionista nesse imenso Avinhão que é para nós, rogacionistas, a América Latina. Isto acontece através da oração e súplica diária ao Pai para que mande bons operários para a messe, anunciando através de nossos campos de ação, como os centros sócio-educativos, centros vocacionais, paróquias e suas pastorais afins (Pastoral da Juventude e Pastoral Vocacional), e sendo os operários sensíveis ao clamor dos pobres, principalmente das crianças, dos adolescentes e jovens, na construção de espaços comunitários que promovam as dimensões espiritual e social.
Como nos ensina as conclusões de Medellín, é necessário termos uma atitude de “pobreza como compromisso, assumida livremente e por amor à condição dos necessitados deste mundo...” (Medellín, p. 145). Santo Aníbal Maria Di Francia nos dizia, referido-se ao seu trabalho, que “a obra nasceu entre os pobres, aliás, com eles e para eles: é justo, portanto, que a eles se consagre boa parte das energias” (Aníbal Maria Di Francia. In: Periodico Trimestrale Di Studi e Attualità).
Seguindo os passos da Igreja na América latina e do nosso fundador, somos convidados a dar uma resposta a essa situação de emergente pobreza que envolve o nosso continente latino-americano, a fim de promovermos pessoas na maturidade da vocação cristã e educando-as para uma convivência social de maneira plena.
Dárcio Alves da Silva e Vergílio Moretto Júnior
Noviços Rogacionistas, Formados em Filosofia.
Atualmente residem e trabalham em Curitiba (PR)
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