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Desafios da Pastoral Vocacional Contemporânea:
A Pastoral Vocacional de nosso século não pode alienar-se da cultura social e globalizada que nos rodeia e que interfere até mesmo no ambiente religioso. A cultura pós-moderna tem por principal característica a busca desenfreada pelo sentimento de prazer, ou seja, o jovem procura a satisfação momentânea, com o mínimo de esforço possível, em detrimento de sua história pessoal. Em tal cultura, ter projetos a longo prazo e que exijam renúncias se torna inconcebível. É a “geração do agora”. Quais são os fatos que nos levaram a tal mentalidade?
A falência de um modelo educacional baseado na família é um dos principais problemas. Atualmente, os pais (esposa e marido) – que deveriam ser os primeiros educadores – são “obrigados” a trabalhar cerca de oito horas para garantir a sobrevivência da família. O cansaço da jornada de trabalho os impede de dar a devida atenção aos filhos. Sendo assim, os meios de comunicação (TV, rádio, internet, revistas jovens etc) tornam-se os “educadores suplentes”. Nesta qualidade, conseguem gerar moda e contribuir na formação do estilo de vida dos jovens.*
Contudo, os meios de comunicação se utilizam de algumas estratégias para manter sua audiência e seus patrocínios. Sabem aproveitar lacunas – e a ausência dos pais é uma delas – encontradas nas pessoas ou classes sociais e ofertam produtos que preenchem ilusoriamente tal carência. No entanto, ao ofertarem estes produtos estão também transmitindo ideologias e maneiras prontas de pensar. Conseqüências:
1. Pensar em consumo como consumismo. Deixamos de consumir somente aquilo que realmente necessitamos para consumir, compulsivamente, aquilo que não precisamos, desde que tenhamos algum sentimento de prazer. O próprio ato de comprar ou consumir, neste contexto, já gera algum tipo de prazer momentâneo.
2. Confundir a realidade com a ficção, fazendo com que, principalmente, os jovens acreditem que na “vida real” tudo acontecerá como na novela ou no “reality show”, onde tudo sempre acabará com um final feliz e sem muito esforço. Afinal, nenhum personagem importante da novela vai a uma escola convencional, e mesmo os que estudam para o vestibular, por exemplo, conseguem achar um tempo para “ficar”, passear, ir à baladas e ainda acabam entre os primeiros colocados no final da novela. Por traz de tal idéia está o pensamento de que não é necessário esforço para nada, basta sermos os “mocinhos” da história, termos um pouco de sorte e seremos ricos, inteligentes e famosos.
Mas, o que isso tem a ver com a Pastoral Vocacional? E em que isso pode ser um desafio para nossa ação?
Tais traços culturais influenciam diretamente nas motivações dos vocacionados. As motivações são os fatores internos de cada pessoa, são as aspirações de ser algo e de responder a um chamado específico que vem do próprio Deus. Elas estão relacionadas com a satisfação pessoal e sua realização. Na Pastoral Vocacional a motivação é a marca que acompanha e dirige a evolução de todo o processo vocacional desde a etapa do “despertar” até a do “acompanhar”.
No entanto, em um mundo onde o “agora” tem mais valor que os sacrifícios presentes, em vista de um projeto futuro, as motivações se tornam muito frágeis e facilmente se desviam de seus objetivos iniciais.
Portanto, cabe à Pastoral Vocacional não fugir do contexto social presente – já que seu alcance é limitado e não possui poderes para mudar traços culturais e familiares, como os apresentados acima – e passar a trabalhar com maior intensidade a questão das motivações. É necessário, também, valorizar os pequenos esforços da vida cotidiana, como por exemplo o estudo e a vivência fiel de sua opção de vida (seja o namoro sério ou a castidade), para que o vocacionado deixe de dar valor somente ao “ser algo no futuro” e perceba a importância de construir este futuro a partir de sua condição presente.
Deste modo, o vocacionado que antes era extremamente influenciado pela “cultura do agora” se conscientizará do valor do presente na construção do futuro e poderá cristalizar a motivação dominante de sua personalidade, fazendo todo tipo de sacrifício para realizá-la. Eis o desafio da Pastoral Vocacional contemporânea!
Rafael Fantini Ruiz
Estudante de 3º ano de Filosofia
Aspirante Rogacionista
Curitiba (PR)
Fontes Consultadas:
CLIMATI, Carlo. “Adesso” E Domani?, In.: Rogate Ergo, ano 70, nº 1, jan/07, Roma.
BACARJI, Arlene Denise. Sociologia da Comunicação: algumas considerações (texto utilizado na disciplina de Sociologia no Instituto Vicentino de Filosofia), Curitiba.
MAIA, Gilson Luiz. Motivos e Motivações Vocacionais, In.: Rogate, ano 25, nº 244, ago/06, São Paulo.
*No período até os 12 anos ocorre a formação do caráter da criança, ou primeira socialização. Nesta fase o ser humano age muito mais por imitação que por análise dos comportamentos que melhor se enquadram aos seus hábitos familiares. Contudo, é exatamente nesta fase que a criança passa o maior período de seu dia em frente à televisão, assimilando e imitando os comportamentos de seus personagens prediletos.
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