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No Rogate, Jesus totalmente humano e divinO*
O evangelho é sempre a fonte onde o cristão deve buscar a inspiração de vida e, nele, o modelo a seguir deve sempre ser o próprio Jesus Cristo.
Ao estudar a perícope evangélica do Rogate, em Mateus (cf. Mt 9,35-38), pode-se perfeitamente mergulhar na dimensão humano-divina de Jesus. Neste trecho do evangelho, ainda como percebeu Santo Aníbal Maria Di Francia (1851-1927), o Coração de Jesus se expande e transborda de zelo por meio do divino mandamento: “Peçam ao Dono da colheita que mande trabalhadores para a colheita.” Mas, muito ainda se pode perceber neste trecho do evangelho. Há uma riqueza que não se pode deixar escapar: Deus caminha com seu povo.
Jesus, Homem-Deus, é capaz de caminhar no meio da humanidade (cidades e povoados). Ele age humanamente, faz o que está ao seu alcance, por isso, ensina, prega e cura. O “humano” é ressaltado. Contudo, humano e divino ao mesmo tempo é o fato dele sentir compaixão ao “ver as multidões cansadas e abatidas”. Neste momento Jesus é tomado pela emoção, que enche o seu “ser humano-divino”. Não se trata de uma emoção inerte, incapaz de levar ao outro, mas sim uma emoção elementar, ativa, construtiva, que leva à ação.
Compaixão significa um “mover interno”, um “comover-se”, um agitar das entranhas. É isto que ocorre com Jesus. Algo tipicamente humano, ou pelo menos deveria ser. Jesus se compadece. Nele ocorre como que uma erupção interna, como que vinda das próprias vísceras. Jesus se revela totalmente emocional, pessoa humana. Esta perícope revela a emoção. É preciso resgatar este caráter emocional que serviu de base à mística cristã.
Ao sentir compaixão, Jesus é tão humano que dele se pode dizer com toda propriedade: “Humano assim, só Deus podia ter sido.” Humano e divino se tocam, se interpenetram na pessoa de Jesus. Ele sente compaixão, como o Pai diante do Filho Pródigo. Do seu interior brota a emoção pela indignação da multidão “porque estavam cansadas e abatidas”, mas a emoção que toma conta de todo o interior de Jesus se rompe e, enfim, se externa em obras por meio de suas mãos.
Hoje, a cada cristão, em particular aos Rogacionistas e às Filhas do Divino Zelo (dois institutos fundados por Santo Aníbal Maria Di Francia), é feito o mesmo convite de viver a compaixão, de se emocionar diante da multidão dos pobres, dos jovens, das crianças abandonadas e sofredoras. As mesmas vísceras, em nós, devem agitar-se diante de tanta provocação e indignação e, como em Jesus, tornar-se ação e oportunidade de libertação.
Santo Aníbal, que seguiu as pegadas de Jesus, foi capaz de perceber e sentir, com tamanha doçura, o convite à compaixão e à ação e, por isso, por inspiração divina, soube fazer do Rogate o motivo de sua vida. O Rogate é a expressão maior e mais sublime da compaixão do Coração humano-divino de Jesus.
*Carlos André da Silva Câmara
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