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Conferência dos Superiores 2009
Mensagem Final
P. Angelo Ademir Mezzari, rcj.
Caritas Christi urget nos! (2 Cor 5,14) [ “O amor de Cristo nos impele” ( 2 Cor 5, 14) - nota do tradutor].. A conhecida afirmação de São Paulo, o grande apóstolo das nações, no contexto do ano a ele dedicado, foi de particular atualidade e estímulo à oração, à reflexão e à partilha, durante a anual Conferência dos Superiores Maiores e seus Conselhos que vivemos em Yaoundè, a capital de Camarões, um país abençoado por Deus com seu povo, sua natureza e a riqueza de sua terra. A escolha da África, conclusão do conhecimento global das áreas geográficas nas quais vive e atua a nossa Congregação, se conjuga com o tema da Missio ad gentes, um desafio para a vida religiosa rogacionista, tema dominante do corrente ano, se coloca em estreita consonância com a recente celebração do primeiro Missio Summit Rogazionista e se alia idealmente ao caminho da Igreja nesse continente ao qual, próprio aqui em Yaoundè, no mês passado, Bento XVI entregou o Instrumentum laboris do próximo Sínodo dos bispos para a África, “A Igreja na África a serviço da reconciliação, da justiça e da paz”.
A missio ad gentes é uma ação primordial da Igreja, uma atividade essencial e jamais concluída que provém de sua mesma natureza. A Conferência se revelou mais uma vez um qualificado momento de formação permanente, uma modalidade eficiente para compartilhar o dom do carisma do Rogate que nos torna naturalmente missionário, e avaliar a atualidade e a necessidade do serviço da missio ad gentes que a partir de 1950 e do Brasil, caracteriza propriamente a dimensão missionária da nossa Congregação, hoje presente em diversos continentes. Foi o terremoto de Messina, cem anos atrás, a levar Santo Aníbal para além dos confins da Sicília e a implantar suas obras em Oria. Deste lugar começou o crescimento mais visível e estrutural das Congregações com a multiplicação das Casas, o incremento do pessoal religioso, a afirmação posterior do carisma do Rogate, o desenvolvimento da dimensão caritativa. Foi a ânsia do Rogate que busca a glória de Deus e a salvação das almas, a empreender, a partir dos anos cinqüenta do século passado, a realização do desejo e da santa aspiração do mesmo Fundador, as missões entre os povos. A Congregação começou seu projeto missionário, contando com a generosa disponibilidade dos coirmãos e abrindo espaços para o carisma até os confins do mundo inteiro. Desde então este processo não parou mais e graças à disponibilidade muitas vezes heróica de tantos coirmãos missionários, o Rogate adquiriu um rosto mais universal na realização do projeto rogacionista de oração pelas vocações e caridade, sobretudo para com os pequenos, os fracos, os pobres. A Congregação assumiu seus interesses, defendeu seus direitos, se empenhou com a disponibilidade de pessoal e de recursos financeiros, acompanhando os missionários na inserção sem seus ambientes de vida, na condivisão de sua existência, segundo o critério da inculturação e da evangelização. Em virtude do dom evangélico do carisma nós somos os missionários do Rogate, dentro e fora de nossa pátria, agentes nos areópagos da cultura, da pastoral eclesial, da comunicação social, do serviço caritativo e qualificado aos pequenos e pobres, sobretudo pela profissionalidade religiosa que nos qualifica como adoradores e implorantes da missão mais alta e mais bela de merecer e preparar as vocações para o Reino.
Isto nos faz de maneira mais autêntica discípulos missionários de Cristo, missionários e evangelizadores do divino comando do Rogate, a serviço das Igrejas particulares nas quais se realiza e se desenvolve a nossa ação pastoral e carismática. A fidelidade criativa ao Rogate, enquanto nos permitiu uma maior maturidade na compreensão do carisma, nos impulsionou a ultrapassar os confins de nossa terra, e sob o exemplo do Fundador, ir ao encontro dos outros, considerando nosso irmão cada pessoa necessitada de acolhida, de pão, de amor. As ações são eficazes quando nós somos aquilo que devemos ser. Por este princípio, no decorrer dos primeiros 60 anos de empenho missionário, experimentamos que o fundamento de nosso serviço deve ser sempre proporcional ao sustento espiritual, à interioridade, tão cara e recomendada por Santo Aníbal, à fidelidade ao carisma que requer ser doado, próprio porque a exigência e a necessidade dos operários do evangelho para a salvação das almas, se referem à Igreja e ao mundo inteiro. Tudo isto requer um processo educativo e uma mudança de mentalidade que faz passar para uma abertura missionária de ressonância evangélica, que faz sair do próprio ambiente e da própria nação e ver todos os povos que, segundo a expressão de Jesus devem se tornar discípulos e serem batizados. Para realizar isto e ser eficaz nesta ação, é preciso uma conversão comunitária e pessoal. Já algumas comunidades em sua composição vivem a experiência da internacionalidade e isto se revela enriquecedor porque determina um dinamismo vivaz sobre todos os aspectos e oferece maiores possibilidade de realização do projeto pastoral carismático em todos os níveis. A estruturação do Ofício Missionária Central e todas as suas iniciativas, entre elas o dia Missionário Rogacionista e a Adoção à distância, se revelou ao longo do tempo um modo concreto e atual para manter viva a sensibilidade missionária e difundi-la em nossos ambientes.
Considera-se agora indispensável inserir no itinerário formativo e em seus respectivos programas uma adequada formação missionária que é exigida pela mesma natureza da Igreja, da fé católica, da consagração religiosa, do carisma do Rogate que, próprio porque palavra evangélica, abraça os confins de toda a Igreja e do mundo. Faz-se necessário manter vivo em todos os congregados a ânsia missionária do Rogate dentro e fora da própria pátria, não como expressão delegada a alguns ou como projeto de realização pessoal, mas como empenho próprio derivante do carisma e manifestado em expressões diversas, pela oração, pela oferta dos próprios sacrifícios e pelo sofrimento, como também pela própria disponibilidade em sair de sua pátria em vista do crescimento do Reino de Deus e a consolidação dos valores evangélicos e carismáticos da Congregação. É oportuno e frutuoso o envolvimento do laicato rogacionista não só nas suas dimensões emotiva e caritativa, mas também na formativa e experiencial e na disponibilidade concreta para oferecer algum tempo da vida para compartilhar o desenvolvimento do carisma do Rogate na missio ad gentes. A atenção ao problema missionário não pode ser resolvido em uma colaboração ocasional ou com uma coleta, mas necessita além destas formas já significativas, de mudança de mentalidade, disponibilidade, abertura concreta ao Evangelho. Enfim ser missionários deve empenhar-nos em ir além da caridade, na direção das realidades mais duras e difíceis, sobretudo em terra de missão, da justiça, da reconciliação, da paz. Estes valores ensinados e colocados em prática por Santo Aníbal Maria na sua missão em Avinhão de Messina e da Itália, com a defesa dos pequenos e pobres, a iniciação ao trabalho, a oferta da comida quente para a sobrevivência, as coisas de Deus para crescer na dignidade de filhos de Deus, o cuidado dos órfãos, o mais caro ideal da sua vida, são para nós parâmetros de vida e evangelho traduzido.
Manifestamos um sentimento de admiração e via gratidão por todos os missionários rogacionistas que assumiram e viveram a missio ad gentes como missão própria do Rogate; por todos aqueles já completaram sua existência humana e experimentam o repouso dos justos, em particular Pe. Mário Labarbuta, Pe. Giusepe Lagati, Ir. Antonio Adamo e Ir. Onofrio Scifo, os primeiros missionários no Brasil, Pe. Diego Buscio missionário nas Filipinas e, mesmo nestes dias, Pe. Antonio Barbângelo iniciador de múltiplas frentes missionárias rogacionistas; por todos que retornaram a sua pátria trazendo com alegria os seus feixes; por aqueles que apenas iniciaram o serviço missionário por causa do Reino e do Rogate. A Virgem Santa, Rainha dos Apóstolos, protetora dos primeiros missionários Palotinos nos Camarões, São Francisco Xavier e Santa Terezinha do Menino Jesus, protetores das missões, continuem a infundir em nós zelo e entusiasmo para que a aspiração e o santo desejo de nosso fundador Santo Aníbal continuem a concretizar-se com nossa contribuição e com a nossa disponibilidade.
Yaoundè, 26 de maio de 2009.
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