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ESPECIAL |
América com Cristo: escuta, aprende e anuncia Os
países da América estão se preparando para o seu
Com o tema: "A Igreja em discipulado missionário", o 3º Congresso Missionário Americano (CAM 3), que também é considerado o 8º Congresso Missionário Latino-americano (COMLA 8), foi estruturado em três eixos centrais: a) Discipulado: Igreja como comunidade discípula de Jesus; b) Pentecostes: Igreja como comunidade guiada pelo Espírito; c) Evangelização: Igreja como comunidade missionária para a humanidade. Em agosto de 2006, durante o 1º Simpósio Internacional de Missiologia, delineou-se o lema do congresso: "América com Cristo: escuta, aprende e anuncia". Definidos tema, lema e eixos centrais, uma comissão teológica elaborou o Instrumento de Trabalho do evento, levando em conta o Documento de Aparecida (DA). O texto começou a ser distribuído durante o 2º Simpósio Internacional de Missiologia, realizado em agosto de 2007, em Quito (Equador). Em outubro desse mesmo ano, o Instrumento de Trabalho já estava traduzido para o português. O documento preparatório contém cinco capítulos. O primeiro apresenta os três eixos-centrais temáticos - discipulado, pentecostes e evangelização. No segundo capítulo há um resgate histórico dos congressos missionários anteriores, até a chegada ao atual. Os capítulos seguintes, do 3º ao 5º, apresentam respectivamente os três eixos-centrais temáticos. A revista Rogate destaca parte do 3º capítulo, "Discipulado: comunidade discípula de Jesus", pelo seu aspecto vocacional (n. 106-117). O texto completo pode ser acessado pela Rede Mundial de Computadores, no endereço: www.cam3ecuador.org Processo de formação dos discípulos No processo de formação de discípulos missionários convém destacar os cinco aspectos fundamentais assinalados pelo Documento de Aparecida (DA 278), que aparecem de maneira diversa em cada etapa do caminho, mas que se compenetram intimamente e se alimentam entre si: a) O Encontro com Jesus Cristo: é o Senhor quem chama (Mc 1,4; Mt 9,9: "Segue-me"). Há de se propiciar este encontro que dá origem à iniciação cristã, mas que deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, o anúncio do querigma e a ação missionária da comunidade. O querigma não somente é uma etapa, mas o fio condutor de um processo que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o querigma, os demais aspectos deste processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Somente a partir do querigma se dá a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso a Igreja há de tê-lo presente em todas suas ações. b) A conversão: é a resposta inicial de quem escutou o Senhor, crê nele pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir atrás dele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer ao pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo. c) O discipulado: a pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus-Mestre, aprofunda no mistério de sua pessoa, seu exemplo e sua doutrina. Para isso, são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e possibilitam que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão no meio do mundo que os desafia. d) A comunhão: não pode haver vida cristã sem comunidade: as famílias, as paróquias, as comunidades de base, outras pequenas comunidades e movimentos. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. Também é acompanhado e estimulado pela comunidade e seus pastores, para amadurecer na vida do Espírito. e) A missão: o discípulo, à medida que conhece e ama seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo a anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, a fazer realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, a construir o Reino de Deus. A missão é inseparável do discipulado, e, portanto, não deve ser entendida como última etapa da formação, embora se realize de diversas maneiras, de acordo com a própria vocação e o momento do amadurecimento humano e cristão em que se encontre a pessoa. Atitudes do discípulo em missão O discípulo necessita viver em sintonia com os valores religiosos e de humanidade presentes entre os homens e as mulheres da terra, em suas respectivas culturas, sabendo que a cultura é a terra fértil à qual a missão confia a semente do evangelho. O evangelho será assimilado e cultivado por estas culturas, em comunhão com a comunidade eclesial missionária que aceitou a Boa-Nova. Esta comunidade eclesial, para cumprir com perfeição seu trabalho missionário, deve, por sua vez, aprender destes outros povos, para inculturar ali os valores e a experiência do evangelho. Há de anunciar a Palavra com verdade e humildade, porque foi escutada e acolhida pela comunidade missionária, e esta Palavra deu-lhe vida, experiência, felicidade. Assim ela é partilhada e anunciada sem pretensão e imposição. Há de confiar no tempo de Deus, para o bem das pessoas e dos povos. Há de se deixar queimar pelo desejo de que Jesus seja conhecido e amado. Há de se alegrar e se consolar na esperança antecipada, como Simeão e Ana, que proclamam o menino recém-nascido como "luz para todas as nações", olhando com os horizontes amplos de Deus (Lc 2,25-38). A comunidade missionária deve ser presença e coerência de valores evangélicos; deve ser uma luz acesa que se dá com solicitude e gratuidade, com a única pretensão de estar unida ao seu Senhor, e sentir e agir como ele; deve ser uma luz situada em um espaço de humanidade, cultura e religião. Chamados a viver interiormente impregnados de humanidade e universalidade, os fiéis e suas comunidades devem dar a todos os seres humanos morada em seu coração. Tal modo de viver converte-se em espiritualidade, mediante a qual os afazeres cotidianos e toda relação e experiência interpessoal alimentam a fé em Deus. Com profunda abertura, o cristão entra em diálogo com as pessoas concretas, para colaborar no que nos é comum e para compartilhar com elas nossas crenças, em encontro amistoso. Deste modo, sempre se aproximando e aprendendo dos demais, inclusive sem esperar correspondência nem se cansar, o cristão faz presença e reflete a atitude carinhosa e misericordiosa de Deus. É próprio do cristão transbordar o amor, até o desejo de se fazer anátema pelos irmãos (Rm 9,3). Este amor torna-se fermento na humanidade e na Igreja, e semeia a misericórdia e a salvação de Deus por caminhos inusitados. A atividade missionária rumo à humanidade é a porta para crescer na verdade, no amor, na esperança, porque despoja de prejuízos para com as pessoas, com sua realidade e honradez. As pessoas são diferentes, surpreendem-nos, mas nelas está também sua dignidade de filhas de Deus. Com sua simples presença lançam questionamentos acerca de certas práticas e tradições a que estamos acostumados. "Sinto compaixão", disse Jesus, em um mundo onde há fome e sede de pão, de dignidade, de fé e de segurança real. A missão do cristão no mundo é estar ali, compartilhando a dor e a alegria que são muito concretas e com freqüência se expressam com outros paradigmas humanos diferentes dos nossos. A primeira tarefa do cristão é sentir "pela humanidade", por todos, levando-os no coração, sentindo com Deus; sendo, como Jesus, compaixão vivificadora. Neste contexto, também é tarefa do cristão uma silenciosa intercessão, que, por amor, assume todos, para pô-los em Deus. O cristão entrega-se e ama por todos, sente-se humanidade e assim o vive. Mais ainda, quando os frutos não se vêem e se experimenta a impotência ou a violência, o cristão une-se ao agir, silencioso, intercessor e acompanhante de Jesus em favor da humanidade toda, mediante a Presença Eucarística, pela qual se faz companheiro de vida e caminho da comunidade. Com Cristo crucificado e ressuscitado, o cristão intercede permanentemente pela humanidade (Rm 8,34; Jo 17; Lc 22,31-32). O missionário vive uma espiritualidade pascal: em sua morte pascal, Jesus realmente é solidário com a condição humana. Em sua debilidade, aceitou a limitação de ser criatura. Um título messiânico privilegiado por Jesus em seu ministério público foi o de servo de Deus, o servo que sofre, para dar a vida aos demais. Aceitando ser servo obediente, revelou-se como Filho obediente. Viver em diálogo, nascido da contemplação da obra do Espírito Santo, é estar atento não somente à obra do Espírito no interior da ação da Igreja, mas também ao que ele fez e está fazendo fora dos limites visíveis da Igreja entre os diversos povos do mundo, suas culturas e religiões. Este diálogo não é questão de uma tolerância ditada pelo relativismo moderno, nem uma tática oportunista, mas, sobretudo, de um respeito profundo pela ação do Espírito Santo entre os povos e sua experiência humana. Este diálogo supõe atitudes de escuta, respeito, pedido de perdão, e leva a uma partilha dos dons recebidos de Deus. Ser missionário a partir da pequenez, da pobreza e do martírio não é algo marginal, mas reflete o dinamismo central do missionário pascal (Conclusões do CAM 2). O Documento de Aparecida apresentou as atitudes pastorais e missionárias do discípulo (DA 280): "...Projeta para a missão de formar discípulos missionários para o serviço ao mundo. Habilita a propor projetos e estilos de vida cristã atraentes, com intervenções orgânicas e de colaboração fraterna com todos os membros da comunidade. Contribui para integrar evangelização e pedagogia, comunicando vida e oferecendo itinerários pastorais de acordo com a maturidade cristã, a idade e outras condições próprias das pessoas ou dos grupos. Incentiva a responsabilidade dos leigos no mundo para construir o Reino de Deus. Desperta constante inquietude pelos distanciados e pelos que ignoram o Senhor em suas vidas". |
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