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ATUALIDADES |
Reunião
debate o serviço de Coordenadores e representantes
dos regionais da CNBB, O encontro aconteceu nos dias 14 e 15 de abril, no Centro Cultural Missionário, em Brasília (DF). Foram convocados os coordenadores do Serviço de Animação Vocacional (SAV) ou da Pastoral Vocacional (PV) dos 17 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Coordenada pelo Pe. Reginaldo Lima, assessor da Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada (CMOVC), da CNBB, a reunião contou com a presença de representantes de oito regionais, além do Pe. Geraldo Tadeu Furtado, convidado a representar, no evento, o Instituto de Pastoral Vocacional (IPV) e o Centro Rogate do Brasil. Reflexão vocacional à luz de Aparecida A reunião teve início na tarde do dia 14, com a acolhida do Pe. Reginaldo Lima. Na seqüência, o assessor fez um balanço da 46ª Assembléia da CNBB, realizada em Itaici, município de Indaiatuba (SP), de 02 a 11 de abril de 2008. Apresentou uma reflexão vocacional à luz do Documento de Aparecida (DA), elaborado na assembléia. Organizado em 10 pontos, o texto destaca, entre outros aspectos, o chamado a vocacionalizar e a alegria de anunciar a Ressurreição. A experiência da Igreja "Samaritana" também mereceu especial atenção no estudo. Eis os 10 pontos: 1. Num tempo de desencanto e de "des-astre" (sem astros, sem estrelas), experimentamos a solidão e a angústia do navegador em alto mar. Quem sou eu e o que estou fazendo aqui nessa missão? Diante dessa sensação de profundo mal-estar, o papa Bento XVI convida toda Igreja a retomar a caminhada redescobrindo o essencial: recomeçar a partir de Cristo, redescobrir em Jesus o amor e a salvação do Pai, conversão e seguimento numa práxis de vida baseada no dúplice mandamento do amor, a Deus e ao próximo. 2. Essa conversão não é dirigida inicialmente ao mundo. A conversão é dirigida, em primeiro lugar, à Igreja através de um caminho pessoal, comunitário e estrutural que se realiza na retomada decidida de sua missão redentora no mundo. 3. O seguimento, por sua vez, representa o caminhar na direção indicada pela conversão. Também acontece na missão, que se torna a verdadeira escola para a comunidade dos discípulos. Discipulado e missão são realmente "as duas faces da mesma moeda", porque o discipulado acontece na missão, os discípulos são chamados para a missão, mas ao mesmo tempo a missão pressupõe o discipulado como testemunho fundamental (cf. DA 368; 386; EN 41) e também o discipulado se apresenta como objetivo, conteúdo, centro da própria missão. 4. Com efeito, o objetivo da missão é "fazer discípulos" (Mt 28,19), ou seja, fazer com que muitos outros se tornem praticantes da Palavra ao longo de um percurso espiritual de crescimento interior, indicado pelo "Discurso da Montanha" de Mateus (5-7). As etapas dessa caminhada são essencialmente três: a passagem da vivência de um amor "ordinário" para um amor radical; a passagem de um amor recíproco para um amor gratuito; a passagem de um amor "tribal" para um amor universal. 5. Essa última etapa corresponde com o topo da montanha do mandato missionário de onde Jesus envia seus discípulos a todos os povos. O discipulado acontece na missão, e a missão universal realiza plenamente o discipulado. 6. O caráter ortopragmático da vocação do discípulo se fundamenta numa opção de fé. Se acreditar que Deus é verdadeiramente Pai de todos, os outros são meus irmãos: todos os outros, ninguém excluído. Dessa mudança de ótica surge o compromisso ético de novas relações. Fazer discípulos, portanto, quer dizer fazer irmãos. 7. O tema da "fraternidade" exprime claramente a essência da missão em sentido universal. A missão propriamente dita não se situa no âmbito da atividade, mas naquele das novas relações, fundamentadas na misericórdia e no perdão, e não apenas na justiça. 8. A comunidade dos discípulos não é um círculo auto-referencial, mas é por natureza aberto ao mundo: abre essa fraternidade a todos, a começar pelos pobres e pelos outros. Por isso, sai de si e se torna próxima na dinâmica do Bom Samaritano (cf. DA 26, 135). Essa aproximação pressupõe uma "quênose" que nasce da compaixão e não do desejo de ascese. Aqui o discípulo descobre "que a vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros" (DA 360). 9. A salvação se cumpre pela via do discipulado, ou seja, pala prática concreta da Palavra. Essa Boa Nova, essência do Reino, é dirigida a todos. Deus nos pede só isso: viver humanamente e divinamente na base do amor gratuito. 10. Para o presbítero o discipulado na missão é uma questão antes de coração. Trata-se, em definitivo, de reconhecer o dom recebido de Deus, assumi-lo e retribuir no serviço humilde aos irmãos, tornando-se eucaristicamente um dom. Ser discípulo, porém, não basta. É preciso fazer discípulos, formar uma comunidade sempre maior de irmãos e irmãs que saiba ser testemunho daquela fraternidade fruto do amor, que vai além da justiça, exigência para uma verdadeira paz (cf. GS 78). Ano Paulino Em um segundo momento da reunião, houve um debate sobre o Ano Paulino, que se inicia no dia 28 de junho de 2008 e se estende até 28 de junho de 2009, em comemoração aos dois mil anos do nascimento de São Paulo. O Ano Paulino foi convocado pelo papa Bento XVI no dia 28 de junho de 2007, com o objetivo de tornar seus ensinamentos mais conhecidos de todos. Afirmou o papa: "O apóstolo dos povos, particularmente comprometido a levar a Boa Notícia a todos, entregou-se totalmente pela unidade e a concórdia de todos os cristãos. Que ele nos guie e proteja nesta celebração dos dois mil anos, ajudando-nos a avançar na busca humilde e sincera na plena unidade de todos os membros do Corpo místico de Cristo". Diante da proposta do papa, Pe. Reginaldo sugeriu que se aproveite este ano jubilar de São Paulo e se aprofunde, nas diferentes realidades eclesiais, o tema da missão e da vocação a partir do Documento de Aparecida. Mês vocacional Outro ponto ressaltado no encontro foi a celebração do mês vocacional de 2008, cujo tema é "Família de Deus: chamados à vida e à missão". O grupo reunido procurou refletir sobre as novas configurações da família hoje e a importância de abordar este aspecto na celebração de agosto. O jubileu do primeiro Ano Vocacional do Brasil, realizado em 1983, também será destaque durante o mês vocacional. Houve, ainda, um resgate do 2º Congresso Vocacional do Brasil, realizado em setembro de 2005. Boletim Convocação Pe. Reginaldo Lima explicou aos presentes sobre o fim da publicação do Boletim Convocação, editado pela CNBB em parceria com o Centro Rogate do Brasil. O Convocação foi lançado no mês vocacional de 1991, exatamente 10 anos após a celebração do primeiro mês vocacional, em âmbito nacional (1981). Nasceu, cresceu e cumpriu seu objetivo de ser um meio de comunicar as experiências da área vocacional das Igrejas locais, apresentar reflexões e notícias, além de propostas de celebração vocacional. A parceria da CNBB com os Rogacionistas - que já editavam a revista Rogate e tinham experiência no assunto - foi sendo renovada a cada novo governo eleito (tanto da parte da CNBB, quanto dos religiosos). Foram 71 edições e 16 anos de vida. Circulou de forma trimestral, com excessão do período de 1999 a 2003, quando - motivado pelo 1º Congresso Vocacional do Brasil (celebrado em setembro de 1999) - circulou a cada dois meses. Por uma série de fatores, dentre eles a chegada da Internet e o crescimento de seu uso por parte dos animadores vocacionais, o Convocação impresso deixou de ser editado em 2007. Diante disso, Pe. Reginaldo incentivou os regionais a proporem para todos os SAVs e PVs a assinatura da revista Rogate, como subsídio de formação e informação, além de conter propostas de celebrações vocacionais, inclusive direcionadas ao público infantil. Outra sugestão apresentada no encontro foi para que as dioceses e os próprios regionais enviassem textos para a revista relatando suas experiências para possível divulgação na Rogate, auxiliando, assim, o trabalho desenvolvido pelos animadores e animadoras vocacionais. O primeiro dia de encontro foi encerrado com uma rica partilha de experiências entre os regionais presentes. Um dos pontos em comum entre eles foi o investimento na formação. Alguns regionais prepararam suas próprias escolas vocacionais e outros realizaram a Escola de Preparação de Animadores e Animadoras Vocacionais (ESPAV), com assessoria do IPV. Ano Vocacional O segundo dia da reunião, dia 15, foi destinado aos encaminhamentos práticos. Além da proposta de assinatura da revista Rogate, os regionais se interessaram pela aquisição da agenda vocacional Caminhos 2009, editada pelo IPV. Houve ainda a comunicação sobre o ano catequético em 2009, que irá abordar o texto de Emaús (Lc 24,13-35). Também foi solicitado aos presentes uma reflexão sobre quais as possíveis temáticas para a celebração de um próximo Ano Vocacional do Brasil, com data a ser definida pela CMOVC (lembrando que em 1983 e em 2003 foram realizados Anos Vocacionais em âmbito nacional). Sugeriu-se, de um modo geral, que alguns eixos estejam presentes e estruturem o evento: eixos teológico, eclesiológico, missiológico e pastoral. Os participantes do encontro propuseram uma reflexão em torno da espiritualidade vocacional e do discipulado à luz do Documento de Aparecida. Estas propostas e os encaminhamentos para sua execução deverão ser apresentados na próxima reunião ampliada da comissão, marcada para o mês de outubro, quando também estarão presentes os representantes dos organismos afins (diáconos, institutos seculares, presbíteros e religiosos). A reunião concluiu-se com a escolha de uma equipe de apoio ao Grupo de Assessoria Vocacional (GAV), que está sendo reestruturado. Coordenada pelo assessor da CMOVC, Pe. Reginaldo Lima, a equipe estará aprofundando as indicações sobre o próximo Ano Vocacional do Brasil e seus encaminhamentos práticos. Também irá estudar a possibilidade da realização de um 3º Congresso Vocacional em âmbito nacional. |
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